política

Published on janeiro 19th, 2014 | by klozz

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A (falta de) educação política do jovem brasileiro e o gigante que não acordou.

Engajamento

É inegável que a juventude foi, quase sempre, se não o catalisador da mudança, o principal agente da transformação da sociedade no campo político. Uma juventude politicamente informada e consciente, portanto, constitui-se em um requisito essencial para que a mudança social ocorra de forma alinhada com os interesses do povo. Todavia, todas as aparências parecem indicar um completo desinteresse da juventude brasileira em assuntos políticos. É comum até mesmo vermos isso atribuído a características culturais do povo brasileiro, implicando que é necessária uma grande transformação cultural no País antes que possamos ter um maior engajamento da juventude.

Todavia, a pesquisa Agenda Juventude 2013, realizada no ano passado pela Secretaria Nacional da Juventude em conjunto com o CNPq (Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) realizou a seguinte pergunta: “Como os jovens avaliam a importância da política?”. O resultado chega a impressionar um pouco – 54% dos entrevistados consideram a política “muito importante”. Além disso, cerca de 45% dos entrevistados consideraram que a participação em mobilizações de rua, ações diretas, e coletivos são formas de atuação que podem vir a melhorar a situação do Brasil. Vê-se, daí, que o jovem brasileiro tem, sim, interesse na participação ativa na transformação da realidade do país. Não que esses números não possam melhorar – afinal, o ideal seria, obviamente, que 100% dos jovens considerassem a política “muito importante” – mas dada a imagem do jovem brasileiro como um “desinteressado”, saber que mais de metade dos jovens compreendem a importância de interessar-se pelo panorama político do país é reconfortante.

Foco

Se já estabelecemos que temos interesse da parte dos jovens, e creio que ninguém que esteja lendo negará que há muitas importantes transformações a serem feitas na realidade brasileira, por que não vemos a atuação dos jovens tendo importantes conquistas atualmente? A última vez em que vimos mobilização dos jovens em grande escala para tentar realizar transformação foi nos protestos de 2013. Falou-se muito sobre “o Gigante ter acordado”, mas o consenso geral parece ser que, no final, os protestos não deram em nada – e ainda assim, ocorreu pouca discussão sobre isso entre os jovens. O normal seria que, quando uma mobilização tão grande, na qual uma parcela tão grande da população tomou parte, falha, ocorressem debates e discussões em grande escala entre os principais interessados – os próprios jovens. O esperado seria que se tentasse descobrir os motivos que levaram à falha do movimento, mas, no final, embora muitos grupos que não os jovens envolvidos nos protestos estivessem discutindo as motivações por trás do ocorrido, os jovens em si se contentaram em apenas observar o movimento que deveria pertencer a eles definhar e morrer.

É possível tecer diversas teorias sobre os motivos disso ter ocorrido, mas eu proponho aqui um motivo simples (que nem de longe proponho que seja o único, mas que creio ser um dos principais): A causa era vazia de substância. Os jovens que estavam protestando, em sua grande maioria, tinham muita revolta e pouco foco, e se organizaram em torno de causas vazias.

(Para entender o que quero dizer por “causas vazias”, recomendo ler este excelente texto do Papo de Homem)

Por que essa falta de foco? Por que essa dificuldade de organizar sua revolta e canalizar ela em um movimento construtivo? Na minha opinião, trata-se de consequência direta da falta de uma educação política imparcial. No geral, podemos simplificar isso, e em 90% dos casos, concluir que trata-se de uma completa falta de educação política. O jovem brasileiro ou é incapaz de compreender o cenário político de forma satisfatória o suficiente para realizar questionamentos que vão além de causas vazias, nas quais simplesmente não existe oposição (falta de educação política). O outro caso é aquele em que o jovem não realiza questionamentos porque toda a sua educação política foi realizada de forma doutrinatória, com o objetivo de levá-lo a apoiar certa ideologia específica, pautada em certos interesses de certos grupos da sociedade. Esse é o caso das pessoas que recebem sua educação política exclusivamente através dos programas de juventude de partidos políticos, ou através de grupos associados a movimentos como o libertarianismo radical, a extrema-direita ou a extrema-esquerda.

Conclusões

O jovem brasileiro tem a vontade e o potencial necessários para transformar nossa nação no país próspero que ela deveria e merece ser. Todavia, isso não se concretizará enquanto a juventude não tiver acesso a uma educação política de qualidade e imparcial, que o eduque sobre, entre outras coisas, história dos movimentos políticos e correntes de pensamento político, dois dos pontos em que é possível ver mais falha no conhecimento até mesmo daqueles jovens que buscam educação política por conta própria. É essencial que haja esforço dos educadores e das pessoas envolvidas com educação, a qualquer nível, neste país, para introduzir a educação política imparcial e de qualidade na rotina do brasileiro, desde a infância.

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Nota: Essa coluna foi escrita por Pedro Castilho.


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